Agradecemos a todos(as) que fizeram parte do V Colóquio Internacional Miroslav Milovic .
                                                   
HVALA!           

Solidariedade ao povo Venezuelano

EUA, regime neofascista contra a América Latina

Prof. Dr. Roberto Bueno
Professor Universitário. Doutor em Filosofia do Direito (UFPR). Pós-Doutor em Direito (UFF). Conselheiro do Instituto Miro.

O direito internacional estruturado sob o trauma da Segunda Grande Guerra Mundial estipula meios pacíficos para a resolução de conflitos. Os termos da Carta da ONU condenam o emprego de quaisquer violentos meios para abordar conflitos entre países, sobretudo entre aqueles signatários do documento fundador, dentre os quais se encontravam os Estados Unidos e a URSS, e demais nações que triunfaram no conflito bélico mundial, defenestrando a grave ameaça representada pelo regime alemão nacional-socialista. Sem embargo, os princípios fundadores da nova ordem mundial com fins pacificadores foram sendo socavados já desde os últimos dias da guerra, quando, já vencido o conflito, os EUA optaram por despejar criminosamente duas bombas atômicas sobre dois alvos civis, as cidades de Hiroshima e Nagasaki. Era a primeira mostra imperial de suas opções políticas ao longo das décadas posteriores, desprezando os princípios da Carta da ONU, diluída nos sucessivos enfrentamentos bélicos travados durante e após o período da Guerra Fria, orientadora da lógica do mundo bipolar. O propósito da afirmação das instâncias pacificadoras do direito internacional em face dos horrores impostos pelo nacional-socialismo durante o grave enfrentamento bélico mundial foi paulatinamente corroído pelas instâncias de poder do próprio império. O bombardeio estado-unidense à Venezuela no início da madrugada deste dia 03.01.2026 e o criminoso sequestro do Presidente eleito Nicolás Maduro e sua esposa representam um definitivo giro no direito internacional, de resto já ensaiado com outros gravíssimos movimentos militares, tais como os assassinatos de autoridades mundo afora, o bombardeio do território iraniano, assim como o decisivo apoio do império ao genocídio em Gaza. São sucessivas provas do desrespeito absoluto ao princípio da autodeterminação dos povos, um dos pilares do direito internacional e da relação pacífica entre os povos. A partir do momento da perpetração do bombardeio da Venezuela e do sequestro de seu legítimo Presidente, é preciso ter definitivamente claro que a América Latina e o mundo já não estão a experimentar apenas uma nova fase do direito internacional, mas sim um momento histórico em que o regime imperial pretende substituir o direito internacional pelo seu regime baseado na pura força, calçado na imposição dos canhões e mísseis. Trata-se de indubitável pretensão constitutiva de (des)ordem internacional de corte neofascista, o que se explica na medida em que pretende substituir o direito internacional pela aplicação arbitrária e direta da força militar sob seu direto comando, à revelia das instituições de mediação internacional. A nova (des)ordem imposta pelo império está estruturada exclusivamente na razão econômica que subjaz às ordens para aplicação da força militar. A emergência de poderes econômicos e militares paralelos, estruturados ao redor das fortalezas sino-russas, depara com o fato de que o grande império dos EUA, todavia, detém fragmento da supremacia global, especialmente do ponto de vista militar, em vista de dispor de capacidade militar singular, capaz de impor a vontade e seus interesses sobre grande parte do planeta. Nesse momento, os EUA apenas reafirmam que estão dispostos a empregar todos os meios — que vão desde assassinatos a bombardeios, passando por sequestros — e todas as armas contra as democracias latino-americanas, aplicando toda a dose de violência para apropriar-se — inclusive “roubando”, como nos casos dos navios petroleiros venezuelanos — de bens e riquezas que lhes interessem para manter sua aspiração de competitividade no cenário global com a fortaleza sino-russa. Nessa quadra histórica das relações internacionais e do direito internacional, já não se trata de abordar relações comerciais assimétricas, de enfrentar relações de poder desiguais ou de repudiar pressões do império para obter vantagens comerciais. Nesses dias, testemunhamos a transição para um momento em que a política externa dos EUA para a América Latina está marcada pelo desembainhar a espada e apontá-la para os povos latino-americanos, que jamais dispuseram de quaisquer meios para sequer ameaçar o grande império. O bombardeio da Venezuela e o sequestro de seu Presidente são covardes ameaças, típicas de quadrilhas de criminosos que, aproveitando-se de vantagem armada, impõem sua vontade ao cidadão desarmado, despojando e saqueando seus bens e riquezas. A operação militar norte-americana na Venezuela não tem qualquer justificativa plausível à luz do direito internacional, e as alegações de tráfico de drogas não têm amparo sequer no mundo dos fatos. Rigorosamente, a ação militar do governo Trump torna responsáveis todos os atores políticos dos EUA, mas, sobretudo, suas grandes corporações econômicas e financeiras, determinantes dos rumos da geopolítica. Essas ações militares neofascistas, acompanhadas de estratégias terroristas no plano internacional, colocam o império no rumo certo e seguro, definitiva e irresolutamente, de um regime ditatorial, posto que descoladas do direito interno e das limitações impostas à Presidência dos EUA. A ação imperial na Venezuela projeta importante nível de violência ao passo que desenha o definitivo descolamento das instituições democráticas dos EUA formalmente assumidas no plano interno. O pretexto da Presidência de Trump para o ataque não se justifica, pois nunca esteve em causa um narco-regime que deveria ser combatido na Venezuela, mas sim, e tão somente, os interesses de um Estado imperial que mobiliza e aplica ações terroristas e que já não pretende ocultar os seus propósitos de tomar para si as riquezas de terceiros Estados. A violência perpetrada contra a Venezuela envia inequívoco aviso à América Latina: sejam quais forem os governos e governantes que pretendam defender soberanamente os seus interesses, se esses colidirem com os do império, estarão sujeitos a todo tipo de intervenção e violência militar, como se não pudessem calcular que isto gerará profundo ódio ao império e fortes reações aos seus interesses na região, alimentando sentimentos similares aos que o Oriente Médio lhe reserva. Não restam opções aos defensores da soberania nacional dos países latino-americanos senão acelerar o processo de sua aglutinação em busca da união imediata em torno de um programa comum. O império já não representa uma ameaça; ele é a violência atual contra o continente. A grande violência que bombardeia e sequestra não está representada por um fantasma comunista, mas é capitalista, veste farda e falsas condecorações douradas, administra desde elegantes e ensanguentados salões, desde Washington, um regime agora confirmadamente neofascista.

“A modernidade não saiu da metafísica da identidade que se representa no nosso conhecimento’”

(Milovic, 2018)

“O mundo, como se perguntava Marx pode ser chamado racional, mesmo com tanta miséria?”

(Milovic, 2002)

“Podemos confrontar o direito como prática de opressão e entender o direito como prática libertadora”

(Milovic, 2021)

“O conflito Iugoslavo mostra o perigo das soluções consensuais que excluem a política. Consenso esconde conflitos”

(Milovic, 2018)

Notícias

A-Deus Miro: 5 anos

Transformando saudade em boas ações.

Acesse aqui

Chamada Prorrogada

Dossiê em homenagem a Gilles Deleuze e artigos livres.
Prazo: 30 de março de 2026

Acesse aqui

Qualis A4

Avaliação Quadrienal da CAPES (2021-2024)

Acesse aqui

Cadernos publicado

Confira o número de dezembro de 2025

Acesse aqui

Estudantes premiados 

Acesse a Ata de Votação

Acesse aqui

Colóquio 2025

Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), na UFPE.
Data: 18 e 19 de novembro
Evento Aberto, Gratuito e Presencial

Saiba mais

Acordo de Cooperação

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) firma acordo de cooperação com a Universidade de Belgrado, da Sérvia.

Saiba mais

Prêmio Miroslav Milovic

Inscrições Prorrogadas

Ler mais

Lançamento na Sérvia

O livro Pravo kao Potencija (Direito como Potência) foi lançado no Congresso em Novi Sad na Sérvia

Ler mais

Cine Filosofia

Convidado: Prof.  A. Edmilson Paschoal (UFPR)

Ler mais

Livro publicado

Confira o livro em homenagem aos 70 anos de Miroslav Milovic.

Ler mais

Cadernos impressos

Os artigos serão publicados impressos como capítulos de livros. Publicação dos 4 volumes.

Ler mais

Lançamento do livro

O livro Direito como Potência foi lançado no XX Encontro da Anpof no Recife.

Ler mais

Eleição e Posse

Estão eleitos e empossados os membros da Diretoria e Conselho Fiscal do Instituto Miro. Confira a íntegra da reunião.

Ler mais


Nossa ética é a
hospitalidade miroslaviana.